Está registrado com o chassi ...C1161 (se fosse C01161 seria coerente com o ano e o sequencial usado pela Simca do Brasil); além disso, não é nada, não é nada (e não é nada mesmo), está registrado no Detran como "CHRYSLER/SIMCA" e não como "IMP/SIMCA", mas isto pode ser explicado facilmente como um descuido do despachante.
Também acho - não tenho certeza - que a calota do kit Continental, em sendo a francesa, não seria aquela instalada...
Ainda que eu esteja certo, não acho que isso desmereça o carro, de muito bom gosto.
Leon, tire suas dúvidas.. Entre em contato com o Miguel Magalhães, o proprietário do carro.
Vocês participam do grupo Simca do Brasil no Facebook portanto, basta uma mensagem...
Não é no facebook mas, por estar numa rede social (youtube), coloco aqui o vídeo do canal Carangas do Brasil, do apresentador Ivo Morganti, sobre o Chambord '62 DUM1962, de Odair Stamboni:
da coleção do Museu Nacional do Automóvel, o resiliente, resgatei este texto do suplemento carros, aviões e náutica d'o Globo, 1966.
Trata do lançamento e impressões em conduzir o Emi sul.
Pelo visto o carro turbinava entusiasmo, pois o texto de meu velho e passado amigo zé lago apresenta um dado surpreendente: a aceleração de 0 a 100 km/h abaixo de impossíveis 8s.
Creio ter sido erro de datilografia - aos moderninhos era a maneira de tocar teclas com os dedos num equipamento chamado máquina de escrever, a grosso modo uma espécie de computador com teclado mecânico e sem tela ... . não sei o dado real entretanto me arrisco a projetar tal medida acima dos 15s.
Com entusiasmo ou sem, veja-se a velocidade final pouco acima de 160 km horários, o que me parece dado verdadeiro, em especial por ser veículo com todas as especificações de fábrica e medido nas cntp.
eis aí. Divirtam-se. Nasser
Realmente deve ter sido erro de datilografia indicar que o carro chegava a 100 km/h em menos de 8 segundos.
O manual de apresentação técnica do Emi-Sul indica 12,5 segundos para o Rallye 6M e pouco mais de 13 segundos para o Rallye normal e Chambord.
Testando o Esplanada Chrysler quando lançado, a Revista Mecânica Popular alcançou 100 km/h em 14,5 segundos, mesmo tempo que havia conseguido com o Rallye Emi-Sul.
A MP alcançou a mesma velocidade máxima, 163 km/h, o que faz pensar sobre o velocímetro indicando 200 km/h.
Curioso o comentário do Zé do Lago sobre a piora em termos de conforto dos bancos Emi-Sul. Sempre achei isso também. Além de ficar mais espartano, o carro perdeu mesmo algum conforto no dimensionamento dos bancos que ele apontou. Ele explicou bem o motivo, no qual eu nunca tinha reparado: assento mais curto e encosto menos inclinado.
Para quem puder acompanhar o facebook do Mário Buzian, "Traga o Guincho" (https://pt-br.facebook.com/tragaoguincho), ele vai pingar algumas informações sobre um Chambord '64:
Se o pessoal do Sul tiver mais notícias... não consegui identificar se faz parte do SIMCAdastro etc.
SIMCA CHAMBORD 1964 - PLACA PRETA 2 anos de restauração.
Novo Hamburgo - RS
No tempo em que os carros tinham nomes poéticos e fáceis de serem pronunciados por brasileiros, a linha Simca ganhou uma elegante caminhonete: era a Jangada, uma versão nacional da francesa Marly.
Era 1963 e Mauro Salles, pioneiro dos testes de carros no Brasil, começava a se afastar do GLOBO (pedira licenças para ocupar cargos no governo João Goulart). Com isso, José Lago, repórter da revista “Aconteceu”, assumiu de vez a seção de automóveis do jornal.
Pelas negativos guardados no arquivo, pode-se notar que os testes feitos por Lago eram demolidores. Em 28 de junho de 1963, ele publicou sua avaliação da Simca Jangada e, nas fotos, quase se pode ouvir o grito torturado dos pneus diagonais submetidos a curvas em velocidades muito além do limite do bom senso... Mas a suspensão dianteira McPherson — uma inovação da Simca no Brasil — mostrou seu valor.
“A mais de 100km/h, os pneus sofrem e cantam, mas o carro segura bem. (...) Com uma só pessoa a bordo, a Jangada entrou e saiu de curvas com apetite assustador. A torção verificada, que esperávamos fôsse grande em conseqüência da suavidade de suas molas, nos surpreendeu. Portou-se muito bem.”
O fato de a Jangada ser um veículo “cidade-campo” fez Lago ir ao deserto Recreio dos Bandeirantes em busca de pisos com costelas-de-vaca e crateras: “a estrutura monobloco, bastante robusta para enfrentar a tradição dos enormes buracos das estradas do interior brasileiro, está montada em uma suspensão muito dócil, apesar de forte, que garante o confôrto do passageiro no asfalto, na pedra ou na terra”, descreveu o repórter.
O motor V8 Aquilon, de 2,3 litros e 98cv (SAE), atrelado ao câmbio de três marchas sincronizadas, foi elogiado pelas boas respostas e ausência de superaquecimento. Na cidade, o consumo de gasolina ficou em 7km/l. Na estrada, a 90km/h constantes, a marca foi de bons 10km/l. E incrível: segundo Lago, o V8 Aquilon não gastou óleo (contrariando uma característica notória dos Simca nacionais).
Como pontos fracos, o repórter apontou os ruídos da estrutura, bem como o sistema de fecho da porta traseira basculante, com um trinco só, que exigia muita força muscular.
Houve ainda críticas a detalhes do acabamento e ao sistema de segurança, com uma chave para a ignição e outra para liberar a alavanca de câmbio. E olha que, na época, os furtos de automóveis já eram corriqueiros.
Leon, não é sempre que eu vejo tantas coisas interessantes em um texto tão curto sobre Simca. Normalmente é o contrário: reportagens com textos grandes, repetitivos e cheios de erros.
O cara quase tirou a roda dianteira direita do chão, levando a traseira esquerda ao máximo de compressão.
A foto fala por si, mas o texto foi muito feliz: "os testes feitos por Lago eram demolidores ... nas fotos, quase se pode ouvir o grito torturado dos pneus diagonais submetidos a curvas em velocidades muito além do limite do bom senso... Mas a suspensão dianteira McPherson — uma inovação da Simca no Brasil — mostrou seu valor".
"Pneus sofrem e cantam, mas o carro segura bem (...) Com uma só pessoa a bordo, a Jangada entrou e saiu de curvas com apetite assustador. A torção verificada, que esperávamos fôsse grande em conseqüência da suavidade de suas molas, nos surpreendeu. Portou-se muito bem.”
Os ruídos reclamados pelo Zé do Lago eu também ouvia na minha Jangada, ao contrário do Chambord que roda silenciosamente. Sumiram todos depois que fiz o serviço dos feixes de molas traseiros em uma boa oficina especializada. Depois que ajustei o cabo de freio de mão apareceu um ruído que me parece ser nele, vou tentar resolver.
Ele elogiou o motor pelas suas respostas, o que me parece incrível principalmente porque se trata do Aquillon.
A observação de que não gastou óleo, contrariando a fama dos motores brasileiros do Simca, reforça o que sempre afirmo: a Simca padecia do mal de controle de qualidade deficiente, pois um motor bem feito não consome óleo acima do normal.
Putz, dizer que o sistema de fecho da porta traseira basculante exigia muita força muscular só pode, na minha opinião, significar uma coisa: a porta estava desregulada, pois é muito simples, fácil e macio fechar e abrir.
Não entendi porque não seria bom, em termos de segurança, ter uma chave para travar a direção e outra para a ignição.
Leon, achei tão boa que te pergunto: você não tem mais sobre essa matéria, não encontrou as fotos tiradas dos outros negativos mencionados no início da matéria?
O Jason Vogel é, de fato, um jornalista "fora da curva" em relação aos coleguinhas: além de uma excelente redação, fica evidente que ele procura pesquisar e conhecer sobre os assuntos de que trata. Poucos iriam escarafunchar o acervo do jornal para escrever uma matéria, seria mais fácil CTRL+C CTRL+V dos textos do www.simca.com.br...
Quem escreve: Henrique Koifman - O GLOBO Jornalista, automobilista e apresentador do programa Oficina Motor. Gosta de acelerar e, eventualmente, desmontar os automóveis para ver como funcionam. Adora pegar uma boa estrada, pavimentada ou não, e de conhecer lugares em que nunca esteve antes